Cybele Fiorotti
Cybele Fiorotti
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Cybele Fiorotti

Percepções ( Perceptions )

Mudar o mundo para o positivo é um alerta que sabemos ser urgente, mas protelamos. Mudar para o positivo! O que significa? Será que não serei mais eu? Estarei perdido e sem identidade? Garantiram que não, que o desafio seria muito maior, pois teria que saber quem realmente eu sou.

Pode significar buscar o verdadeiro sentido de viver e deixar o outro viver?  Significa sentir os pés tocar o chão e reconhecê-lo como um caminho para onde queremos ir, mesmo que por alguns momentos?  Significa olhar para o outro e sentir-se perder nele, como se fossemos nós mesmos?  Significa deixar a cara feia do preconceito, da discórdia, das intrigas, da ganância, e do poder corrosivo?  O mundo seria um tédio? Garantiram que não, pois os desafios seriam maiores do que buscar meios de não encarar a realidade, e burlar através de subterfúgios as mentiras que criamos.

O planeta está sacudindo suas entranhas, revoltado com toda a incapacidade de olharmos a nossa volta e desacelerarmos o caos em que nos metemos. Não somos crianças incapazes, nós estamos crianças incapazes. Uma grande diferença entre ser e estar nos assola nesse milênio.  Somos o rastro da poeira cósmica que ainda procura encontrar-se.  Os novos seres que chegam neste milênio estão mais preparados e organizados. Conscientes de uma tarefa que não foi possível  ver e assimilar por nós nestes últimos dois mil anos.

Estamos interligados. Ao cortar uma árvore, cortamos um de nós, literalmente. Ao devastarmos reinos inteiros, devastamos a possibilidade de descendência. Absurdo? Nada tem de absurdo, porque não  tem a ver com o místico, nossa sobrevida depende do complexo sistema reinante neste planeta, e à medida que interferimos e mudamos isto, nossa própria sobrevivência fica comprometida. Nem é preciso profecias, adivinhos ou profetas, somos nós que determinamos o futuro que queremos e vamos ter.

Pensar, divagar, perceber, atrair, mesclar, fundir, somar; sem dividir ou subtrair.

Afinal:

“ Somos um sopro na eternidade vagando por cainhos estreitos, sujeitos a mudanças bruscas de direção......

Queiram os deuses que nossos sentidos pairem alerta  sobre os silvos do vento, que nossos pensamentos corram como águas claras pela correnteza das palavras.......

Somos poeira cósmica reunidas no tempo/espaço, um nano segundo de energia inconstante e febril.....

Queiram os deuses que perambulemos por aí, à solta no manto azul dos céus, e que os buracos negros nos catapulte para o infinito......

Queiram os desuses que ao voltarmos estejamos conscientes do nosso lugar no planeta, esse planeta de beleza rara, de possibilidades infinitas, de grande coração, que nos abriga, nos tolera e nos perdoa, nos vendo ressurgir e emergir do seu ventre......

Queiram os deuses que possamos acordar para o futuro, pois a barreira foi ultrapassada e estamos nos criando seres cósmicos."

 

 

 

Cybele Fiorotti
Um encontro sem hora marcada

Naquele ano de 1996, encontrar Irenia em um parque de São Paulo foi gratificante. Escutar sua história e tentar trazer para o papel aquela narrativa intensa foi desafiador. Quando nos conhecemos, quase que por acaso no metrô, não supúnhamos que um simples tédio pelo atraso dos trens renderia tanto assunto. Também não entendemos como fomos parar no assunto extraterrestre, e até hoje rimos muito disso. O fato é que esta mulher teve a coragem de abrir seu coração, talvez acumulado por tanta informação, e naqueles vinte minutos contar uma verdadeira ficção. Nos encontramos durante seis meses e a cada encontro uma surpresa atrás da outra me dizia que algo silencioso, e incrível, estava acontecendo debaixo das barbas de todo mundo, mas ninguém era informado. Ela pediu sigilo sobre algumas passagens que eu respeitei, mas autorizou quase na integra que tudo fosse levado ao conhecimento das pessoas. Ela dizia que ninguém mais deveria ficar ausente do assunto. Era questão de tempo para que tudo viesse à tona. Não a vejo desde então.

A decisão de transformar em livro veio após uma conversa sobre a possibilidade de levar toda aquela narrativa como ficção para as pessoas em geral, ligadas ou não no tema. Ela dizia que já era alucinante não ter como dar um parâmetro para os acontecimentos, quanto mais aumentar esta dose com fatos imaginários. Ela deu carta branca para que eu criasse personagens e situações paralelas aos eventos, mas pediu para ler antes de qualquer decisão que eu tomasse. Era o mínimo que poderia fazer diante de tanta disponibilidade, e lógico que assenti sem nenhuma ressalva. Lendo e relendo várias vezes o material eu já não sabia o que era ficção e o que era real, diante do inusitado de alguns dos fatos narrados. O pensamento de Helena Blavatsky “A verdade é mais estranha que a ficção” foi citado por ela várias vezes, e por isto não poderia ficar fora do livro.  Irenia me indagava sobre o que as pessoas pensariam sobre tudo isso, e minha resposta sempre foi a mesma: não importa é somente ficção para a maioria, divertimento, ou simplesmente uma leitura curiosa. O mais importante fora sua disponibilidade para entregar  a um estranho , confiando cegamente em seu discernimento, algo muito especial. Isto sim foi mais corajoso.

Aguardo sempre um contato para continuarmos o assunto. Em alguns desses encontros ela foi acompanhada de amigos que nunca soube se eram humanos ou não. Apenas um me chamou a atenção, mas ela não confirmava minhas suspeitas, somente sorria, às vezes dava gargalhadas altas e seus olhos brilhavam diante de minha curiosidade.  Fica aqui meu agradecimento a esta mulher incrível que me deu um novo parâmetro para a definição de impossível.